sábado, 29 de outubro de 2011

AS FOLHAS,OS ORIXÁS E SEUS SIGNIFICADOS

Trabalhar no sentido da preservação do meio ambiente é dever de todos, pois osseres viventes precisam de água, ar e ervas para a manutenção da vida. Todos os seres racionais e irracionais são apegados a ela, todos têm o dever e o direito de preservar a vida, por isso devemos cuidar da natureza e tudo que a ela pertence.

Os orixás são representados pelas forças da natureza: água, terra, fogo e ar. Sem esses elementos e sem as folhas, não tem orixá; em conseqüência, os que cultuam essas forças, têm o dever de preservar a natureza acima de tudo. As folhas e as águas doces e salgadas representam a natureza; não só para adeptos do candomblé, mas para todos os seres viventes do reino animal e vegetal.

Os cultuadores dos orixás trabalham, celebram, vivem e morrem manuseando folhas e águas. Por este motivo, a natureza é de essencial importância para o funcionamento da religião. Segundo Nanã, Ebami,(pessoa com mais de sete anos no culto), do terreiro Opô Afonjá, localizado no São Gonçalo do Retiro; “No culto aos orixás, a natureza é força maior, e sua preservação se fez absolutamente necessária. Todos os seres do mundo homem, animal ou vegetal, precisam de água para todos os fins; com água e folhas fazem-se remédios, mesmo nos produtos químicos, alguma porcentagem mesmo que mínima de erva faz parte, o que nos torna defensores da natureza”.
No terreiro visitado, Opô Afonjá, há como em todo terreiro uma grande área de vegetação, composta de árvores e plantas de várias espécies, destas são retiradas às ervas para os cultos, remédios e trabalhos espirituais.
Não tem como falar de vegetação sem falar do orixá responsável pelas matas e florestas, o detentor do poder de cura através das ervas, Ossain, o chamado de o rei das folhas. Este orixá é conhecido como o protetor dos médicos, farmacêuticos e de todos que fazem remédios que tratam da saúde.

O autor Reginaldo Prandi, em seu livro Mitologia dos orixás nos conta uma pequena história sobre este Orixá:

Ossain dá uma folha para orixá - Um dia Xangô que era deus da justiça, julgou que todos os orixás deveriam compartilhar o poder de Ossain, conhecendo o segredo das ervas e dom da cura. Xangô sentenciou que Ossain dividisse suas folhas com os outros orixás, mas Ossain se negou a dividir suas folhas. Logo Xangô ordenou que Iansã, deusa da tempestade soltasse o vento e trouxesse ao seu palácio todas as folhas das matas de Ossain para que fossem distribuídas aos orixás. Iansã fez o que Xangô determinara. Gerou um furacão que derrubou as folhas das plantas e as arrastou para o palácio de Xangô. Ossain percebeu o que estava acontecendo e gritou: “Euê uassá! – As folhas funcionam!”. Ossain ordenou as folhas que voltassem as suas matas e as folhas obedeceram às ordens de Ossain. Quase todas as folhas retornaram para Ossain. As que estavam em poder de Xangô perderam o axé, perderam o poder de cura.

O orixá rei, que era justo, admitiu a vitória de Ossain. Entendeu que o poder das folhas devia ser exclusivo de Ossain e que assim devia permanecer através dos séculos. Ossain, contudo, deu uma folha para cada orixá, deu uma a euê para cada um deles. Cada folha com seus axés e seus ofós, que são cantigas de encantamento, sem as quais as folhas não funcionam. 0ssain distribuiu as folhas aos orixás para que eles não mais o invejassem. Eles podiam realizar proezas com as ervas, mas os segredos mais profundos ele guardou para si. Ossain não conta seus segredos para ninguém, Ossain nem mesmo fala. Os orixás ficaram gratos a Ossain e sempre o reverenciam quando usam as folhas.

Apesar de Ossain ter uma grande importância no candomblé o IroKo (orixá representado por uma árvore, gameleira branca) também é muito importante. Pois no seu pé é assentado após o termino das obrigações, todas as oferendas de outros orixás, e o tronco é enfeitado com um ÒJÁ FUNFUN - pano branco.

Edson Eder, ogãn da Casa Branca, conta a importância e a história deste orixá. “Iroko representa o tempo. Foi a primeira árvore da terra. Existe desde o princípio dos tempos a tudo resistiu e a tudo resistirá... Este orixá traz fertilidade para as mulheres. Tem uma lenda mesmo que diz que uma mulher pediu um filho a Iroko e que ela daria a criança como oferenda.

Iroko lhe deu o filho que tanto queria, mas a mulher por amor ao seu filho não cumpriu com a promessa. Um dia quando a criança brincava a mãe foi buscá-la e Iroko a lembrou de sua promessa, Iroko pegou a criança para si. A mãe desesperada consultou um adivinho, que mandou ela fazer um boneco de madeira e colocar nos pés de Iroko, quando ele estivesse dormindo. Feito isso, a mãe recuperou seu filho e Iroko até hoje tem a seus pés o boneco de madeira como se fosse sua criança”.

Uso das folhas - Pierre Verger, em seu livro Ewé, coloca que se para a medicina ocidental o conhecimento do nome científico das plantas usadas e suas características farmacológicas é o principal, em uma sociedade tradicional o conhecimento dos ofós, encantações transmitidas oralmente é essencial. Neles encontramos a definição da ação esperada de cada uma das folhas que entram na receita.Conseqüentemente, entre os iorubás, a preparação dos remédios e trabalhos mágicos, devem ser acompanhados por encantações, (ofós), com o nome da planta, sem as quais esses remédios e trabalhos não agiram. Conforme já foi dito.

Entre os iorubás os ofós são frases curtas nos quais muito freqüentemente o verbo que define a ação, o verbo atuante, é uma das sílabas do nome da planta ou do ingrediente empregado. Tal é o caso de uma receita para chamar boa sorte (àwúre oríre): deve-se usar ajifá bi àlá (IPOMOEA CAIRICA), às quais se adicionam afárá oyim (favo de mel), queima-se tudo até obter um pó preto, que é misturado com azeite de dendê e lambido por aquele que deseja obter boa sorte. O verbo atuante é fó (rere) -para trazer boa sorte, uma sílaba incluída em todos os nomes dados.

Existem várias plantas cuja presença, a primeira vista, parece ter somente um caráter simbólico mais que, na realidade, tem valor terapêutico. A exemplo de duas plantas aquáticas, ojú oro (PISTIA STRATIOTES, Araceae, a alface d’ água) e òsíbàtà (NYMPHEA LOTUS, Nymphaceae, o lótus), que em seus ofós evocam a idéia de superioridade e dominação as frases que seguem:

Ojú oró ni í lékè omi – Ojú oró está sobre a água.


Òsíbàtà ni í lékê odò – òsíbàtà está sobre o rio.


Nessas encantações, os nomes de folhas são acompanhados de duas a três linhas descrevendo suas qualidades naquele caso em particular. A uma certa folha podem ser atribuídas virtudes diferentes segundo sua associação com um ou outro conjunto de folhas, pois elas entram na composição de diferentes preparações medicinais.

Na terra em iorubá, a nomeação das plantas leva em conta suas características: cheiro, cor, textura das folhas, reação ao toque provocada pelo seu contato, entre outro. Como cada orixá tem sua folha, ela tem uma característica pessoal. Uma planta de Oxum será classificada como doce independente do gosto; uma planta de Yemanjá será salgada. Esses e outros fatores levam a atribuir uma planta a Oxum ou Yemanjá.

Pode-se assim concluir que para o candomblé, é de grande importância o entendimento e o conhecimento das folhas e seus respectivos patronos, pois estes indicarão qual será a sua finalidade. Para você leitor pode ser complicado ouvir e falar sobre as plantas, porque é muito complexo, vai alem da simples colheita. Envolve ritos que vão desde a consulta e até a indicação, coleta, manipulação e a administração do preparo.

O papel sagrado e terapêutico, aparentemente diferente, dificilmente poderá ser dissociado um do outro como afirma vários estudiosos sobre o assunto, a exemplo de Ordep Serra, Pierre Verger e José Flávio Pessoa de Barros.

A sacralização das plantas usadas como remédio, acontece quando estas passam a fazer parte dos rituais de cura, guiadas por divindades ou entidades que administram esses objetos sagradas que são as plantas.

Alexandre de Odara
fonte:http://soberanayemanja.blogspot.com

domingo, 21 de agosto de 2011

OSSÃE - O SENHOR DAS FOLHAS

Origem e História

Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, sem folhas não há orixá, elas são imprescindíveis aos rituais do Candomblé.

Cada orixá possui suas próprias folhas, mas só Ossaim (Òsanyìn) conhece os seus segredos, só ele sabe as palavras (ofó) que despertam seu poder, sua força.

Ossaim desempenha uma função fundamental no Candomblé, visto que sem folhas, sem sua presença, nenhuma cerimônia pode se realizar, pois ele detém o axé que desperta o poder do ‘sangue’ verde da folhas.
As folhas de Ossaim veiculam o axé oculto, pois o verde é uma das qualidades do preto. As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. São como as escamas e as penas, que representam o procriado. O sangue das folhas é uma das forças mais poderosas, que traz em si o poder do que nasce e do que advém.
É preciso esclarecer que o sangue (ejé) é um elemento essencial no Candomblé.

Três são os tipos de sangue: o vermelho, dos animais, do azeite-de-dendê, do mel; o preto (verde), do sumo das folhas, e o branco, do sêmen, do vinho de palma, da água.

As folhas constituem o fundamento inicial do Candomblé.
Antes de passar por qualquer ritual, o neófito tomará o banho de ervas (amassi) que o purificará e será sua primeira consagração dentro do culto. É com o amassi que se lavam os colares, os objetos rituais do ibá, a cabeça, a alma e o corpo dos iniciados.

É sobre as folhas sagradas de ossaim que repousará o iaô em sua consagração ao orixá. É com as folhas que os animais consentem o sacrifício.

Ossaim é, portanto, a primeira consagração no Candomblé: primeira e constante, pois a folha faz parte do dia-a-dia dos adeptos do Candomblé; Ossaim é imprescindível à religião, aos orixás e aos iniciados.

Todas as folhas possuem poder, mas algumas têm finalidades específicas e não servem para o banho ritual.

Nem todas as folhas servem para os ritos do Candomblé.

Nos banhos de amassi, por exemplo, devem ser utilizadas folha não-leitosas que não queimem; outras, como o Oju-orô, devem passar por uma preparação especial antes de ser utilizadas nos banhos.

Em outros termos, existem folhas que podem ser usadas nos rituais e folhas que não podem; outras devem passar por ritos especiais, algumas folhas não servem para o banho. Enfim, as folhas possuem inúmeras utilidades dentro e fora do Candomblé, mas é preciso que o sacerdote saiba utilizá-las de maneira correta.

Ossaim é o grande sacerdote das folhas, grande feiticeiro, que por meio das folhas pode realizar curas e milagres, pode trazer progresso e riqueza. È nas folhas que está à cura para todas as doenças, do corpo ou do espírito. Portanto, precisamos lutar por sua preservação, para que conseqüências desastrosas não atinjam os seres humanos.

A floresta é a casa de Ossaim, que divide com outros orixás do mato, como Ogum e Oxóssi, seu território por excelência, onde as folhas crescem em seu estado puro, selvagem, sem a interferência do homem; é também o território do medo, do desconhecido, motivo pelo qual nenhum caçador deve penetrar na floresta na mata sem deixar na entrada alguma oferenda, como alho, fumo ou bebida.
Medo de que?
Medo dos encantamentos da floresta, medo do poder de Ogum, de Oxóssi, de Ossaim; respeito pelas forças vivas da natureza, que não permitem a pessoas impuras ou mal-intencionadas penetrar em sua morada. Se nela entrarem, talvez jamais encontrem o caminho de volta.

Ossaim teria um auxiliar que se responsabilizaria por causar o terror em pessoas que entram na floresta sem a devida permissão. Aroni seria um misterioso anãozinho perneta que fuma cachimbo (figura bastante próxima ao Saci-Pererê), possui um olho pequeno e o outro grande (vê com o menor) e tem uma orelha pequena e a outra grande(ouve com a menor). Muitas vezes Aroni é confundido com o próprio Ossaim, que, segundo dizem, também possui uma única perna. Não se pode por isso confundir Ossaim com o Saci-Pererê, que é um personagem do folclore brasileiro. Ossaim é orixá de grande fundamento, que possui uma só perna porque a árvore, base de todas as folha possui um só tronco.

De acordo com a história desse orixá, há uma rivalidade entre Ossaim e Orunmilá, que reflete, na verdade, a antiga disputa entre os Oníìsegùn - mestres em medicina natural que dominavam o poder das folhas - e os Babalawó - sacerdotes versados nos profundos mistérios do cosmo e do destino dos seres, os pais do segredo.

Ossaim é um orixá originário da região de Iraó, na Nigéria, muito próxima à fronteira com o antigo Daomé. Não faz parte, como muitos pensam, do panteão jeje assimilado pelos nagô, como Nana, Omolu, Oxumaré e Ewá. Ossaim é um deus originário da etnia ioruba. Contudo, é evidente que entre os jeje havia um deus responsável pelas folhas, e Ágüe é o seu nome, por isso Ossaim dança bravun e sató, a exemplo dos deuses do antigo Daomé.Uma confusão latente se refere ao sexo de Ossaim; é preciso esclarecer que se trata de um orixá do sexo masculino.
Entretanto, como feiticeiro e estudioso das plantas, não teve tempo de relacionamentos amorosos. Sabe-se que foi parceiro de Iansã, mas o controvertido relacionamento com Oxóssi, que ninguém pode afirmar se foi ou não amoroso, é o mais comentado.

Na verdade, Ossaim e Oxóssi possuem inúmeras afinidades: ambos são orixás do mesmo espaço, da floresta, do mato, das folhas, grandes feiticeiros e conhecedores

fonte:abassananam blogspot

AYAHUASCA OU YAGÉ

Ayahuasca ou Yagé (nome Tupi que se pronuncia Ya-hay) é uma beberagem de origem Inca. Também é muito conhecida e utilizada pelos índios e xamãs do noroeste do Brasil. Várias tribos indígenas brasileiras como os Kampas e os Kaxinawás usam até hoje a Ayahuasca em muitos de seus rituais sagrados.

Atualmente a Ayahuasca já não é domínio exclusivo dos índios e o uso da bebida é muito difundido em seitas religiosas cristãs e espiritualistas.

No início do século, com a migração de seringueiros para o território amazônico, a Ayahuasca começou a ser conhecida fora das tribos e hoje o seu uso é liberado no Brasil (oficialmente desde 2 de junho de 1992), embora muitos setores conservadores da sociedade tenham resistido e pressionado o Conselho Federal de Entorpecentes (CONFEN) a proibir a existência das seitas religiosas que utilizavam o chá de Ayahuasca, também conhecido no Brasil como Santo Daime.

O Chá do Santo Daime é preparado do cipó do Jagube ou Mariri (Banisteriopsis caapi) e da folha da Rainha ou Chacrona (Psycotria viridis) - naturais da região amazônica.

A verdadeira Ayahuasca sempre contém, ambos os alcalóides harmine e harmaline que podem criar alucinações a partir de doses de 300 mg e que geralmente são obtidos do cipó Banisteriopsis caapi.
A Ayahuasca ainda contém a DMT ou N-dimetill-triptamina que é a substância ativa extraída das folhas.
Chacrona (Psycotria viridis).

Chacrona (Psycotria viridis).
Devemos notar que nenhuma dessas duas substancias, essenciais para o preparo da Ayahuasca, são psicoativas se ingeridas isoladamente.
O que faz a Ayahuasca efetiva é a mistura dos alcalóides, harmine e harmaline, encontrados no cipó Banisteriopsis Caapi e a DMT que é extraída das folhas da Chacrona.
É essa mistura da DMT com os alcalóides harmine e harmaline que produzirão o que tem sido descrito como uma das mais profundas de todas as experiências psicodélicas.

Os alcalóides harmine e harmaline contém beta-carbolinas, substâncias que são potentes inibidores da MAO (monoamino-oxidase) e que ativam e aumentam a duração e a intensidade de os efeitos da DMT. Logo o DMT é o principio ativo enteógeno da Ayahuasca. Na realidade o DMT é um neurotransmissor, que também é normalmente encontrado no cérebro humano.

Preparação da Ayahuasca

Para se preparar o chá do Santo Daime, é necessário uma boa quantidade de folhas Psycotria Viridis frescas e recentemente colhidas.
Elas devem ser fervidas durante várias horas, até que o liquido obtenha uma coloração mais escura. As tiras de cipó são então maceradas e fervidas por mais horas num outro recipiente. Depois são misturados e divididos em várias porções. Diz-se que para conseguir obter os efeitos necessários é preciso, no mínimo, de 75 a100 cm de cipó por dose de chá.

Atualmente muitas seitas preparam uma bebida parecida com a Ayahuasca combinando plantas que podem ser mais facilmente encontradas.
A primeira delas é a "Peganun harmala", que possui quase 10 vezes mais beta-carbolinas que a famosa "Banisteriopsis Caapi" .

A segunda planta usada para a elaboração da beberagem é a Jurema (Mimosa hostilis) que substitui a Chacrona (Psycotria viridis) chegando a ter quase 0,57% a mais de DMT na casca de sua raiz..

A Jurema é a planta que tem maior concentração de DMT descoberta até agora, enquanto que a semente de "Peganun harmala" é a fonte vegetal com maior concentração inibidores da MAO.

fonte:os 7elementos

A ENERGIA OCULTA DAS PLANTAS

É possível ter em casa, na horta, no jardim ou em um simples vaso uma fonte pura de energia, capaz de emanar bons fluidos. Para isso, basta plantar uma folhagem, uma erva, uma flor. Algumas espécies são mágicas!

O fascínio pelas plantas e sua energia benéfica está na ordem do dia. Hoje, ninguém mais é considerado lunático se for surpreendido conversando com seu vasinho de flores preferido. Ou mesmo se, passeando por um parque, tiver o impulso irresistível de abraçar uma árvore centenária, só para lhe "roubar" um pouquinho de energia.

Há quem diga que são os ventos da Nova Era, com a chegada do terceiro milênio, que trazem essa nova consciência, menos racional e mais intuitiva, em sintonia com as vibrações da natureza. O fato é que, na roda do tempo, a magia que envolve o verde não tem idade.

Por transmitirem sensação de bem-estar e conforto, as plantas sempre foram companhia obrigatória nos diferentes momentos da vida. Seja num simples jantar, na comemoração de nascimento, em casamentos, ou na morte.

Muitas espécies estão carregadas de simbolismos desde a Antiguidade, quando eram oferecidas aos deuses como prova de adoração. Um exemplo é o alecrim (Rosmarinus officinalis), que pela facilidade de reprodução de seus galhos, era usado pêlos egípcios para confeccionar coroas, ofertadas para Ísis. Reconhecia-se, assim, a fertilidade que a deusa e a planta simbolizavam.

Algumas, por outro lado, têm justamente na beleza exótica de suas flores a explicação de como essa força energética atua positivamente no homem. O lírio (Lilium candídum), símbolo da pureza da alma, sempre é lembrado na proteção contra bruxarias e encantamentos. O lírio-da Espanha (Íris xiphium) tem no nome uma alusão à deusa íris, divindade do arco-íris e mensageira dos deuses. O lótus (Nelumbo nucifera) era planta sagrada do alto Egito e atributo dos deuses nas religiões orientais evocando a vida eterna. O maracujá (Passiflora wacrocarpa) já foi muito plantado nos cemitérios, à volta do túmulos. Acreditava-se que sua flor de formas inusitadas, era um sinal divino: as pétalas circulares e de pontas afiadas lembram uma coroa de espinhos; os três estigmas do centro evocam os cravos usados na crucificação de Cristo, daí o nome "flor da paixão". Já a recatada malícia da dormideira (Mimosa pudica) apresenta um comportamento incomum para quem acredita que as plantas não têm movimento: a um leve toque, suas folhas se recolhem, como se estivessem murchas.

fonte:os 7 elementos

ESPECIARIAS AFRODISÍACAS

Cravo

É um dos mais potentes afrodisíacos naturais. Além disso, é muito eficaz para combater o cansaço mental, como também a perda de memória.

Coentro

As suas sementes secas tem efeitos eufóricos, especialmente nas mulheres. É utilizado em infusões com vinho. Todavia se recomenda aos homens para não abusarem desta substância, pois neles, pode causar efeitos opostos.

Jasmim

Essa deliciosa flor é cultivada no mundo inteiro, mas é principalmente o jasmim espanhol a ser utilizado para aromatizar licores. Atenção: as sementes de jasmim são venenosas.

Ginger

É utilizado em bebidas destinadas a despertar a sensibilidade. Ingerido com moderação, causa ímpeto salutar; em dose excessiva, irrita o intestino.

Almíscar

Se trata de uma substância escura de odor muito ativo, extraida de uma glândula sito sob a pele do abdome dos cervos jovens que vivem no sudeste asiático. A respeito das suas origens não certamente apetitosas, é considerada uma panacéia para tratar epilepsia, coqueluche, febre tifóide e pulmonite. Além disso, é apreciada pelas suas virtudes afrodisíacas. É reduzido em pó e parcimoniosamente espalhado sobre a comida (causa vertigens se usado em excesso).

Noz-moscada

Não particularmente eficaz para as mulheres, mas para os homens tem a reputação de ser a melhor aliada. Provém da ilha de Banda, na Indonésia.

Orégano

Em infusão é um bom agente excitante.

Pimenta de Cayenna

Contém uma grande quantidade de vitamina C. É também um agente excitante que estimula a circulação. O pequeno chili vermelho ou verde mexicano, possui as mesmas qualidades.

Rábano

Sua polpa tem propriedade afrodisíaca.

Aipo

O aipo contém as vitaminas A, B, C, P e minerais. É excelente para os músculos e ajuda a liquefação do sangue; também serve para reduzir o nível de colesterol e ajuda a manter as artérias limpas. Os antigos Romanos dedicavam o aipo ao deus Plutão, deus do sexo e do inferno.

Mostarda

Estimula a ação das glândulas sexuais. Existem três qualidades de mostarda: preta, branca e amarela, proveniente da Índia. A mostarda conheceu um notável sucesso na Idade Média.

Tomilho

Erva que fornece óleo de poder anti-séptico. Da mesma erva igualmente se obtêm um tônico nervoso com efeitos afrodisíacos. É ainda um bom purificador para o corpo.

Baunilha

Possui efeitos eufóricos e pode ser consumida a vontade. Combate a astenia sexual, agindo no sistema nervoso central e, por meio do seu odor, age indiretamente como estimulante sexual.

Açafrão

Possui propriedades estimulantes das zonas eróticas. Os estudos têm provado que ha efeitos similares aqueles dos hormônios. Atenção ao seu consumo: doses excessivas provocam risadas incontrolá

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O FABULOSO PODER DAS ERVAS

Sempre se ouviu as maravilhas que as ervas podem fazer ou também os malefícios que podem causar, mostrando assim o seu fabuloso poder sobre nós.

Mas como isso se da nas ervas?

Em primeiro lugar, este texto não será achado em livros e nem existe bibliografia, pois o que aqui escrevo vem dos ensinamentos de meus Guias de Umbanda, sendo assim sintam-se a vontade em contestar, criticar , observar ou acrescentar alguma coisa.

As Ervas tem muitas coisas em comum, uma delas é que sua vitalidade na parte fora da terra (folhas ou ramos folhados) que não passam de um ano humano. Logo fácil perceber que sua concentração de força deve ser densa para produzir e efetuar seu papel na Natureza.

Esta concentração de força em suas partes aéreas é que estão armazenados os segredos de muitas curas e benefícios ao homem, como também a morte e malefícios; uma vez que a natureza esta longe de sentimentalismo humano e sua energia reinante é sempre dual.

Dentro de cada erva(sem exceção)existe uma substância química capaz de produzir algo em alguma coisa(parece redundância, mas não é!). os animais pelo instinto forte a que são dotados as usam com limitações. No entanto o homem com sua inteligência lógica, aprendeu a usá-las de diversas formas.
A cicuta é um veneno poderoso, mas também é um remédio excelente! Onde esta a diferença? Na dosagem e manipulação da erva. E assim é com todas, dependendo da manipulação, extraímos benefícios ou malefícios para nossa vida.

Levando isso para a Umbanda.

Sempre ouvimos os Guias receitarem ervas para, banhos, defumações, chás, inalações, emplastro, mastigação, “batimento de folhas”, patuás..............

E o efeito curativo ou vibracional de cada uma destas ervas, vem sendo passado em gerações do Divino plano para o plano Humano, como também do Humano para o Humano.

Bem já sabemos agora que estas ervas tem cada uma sua função dual e quando bem manipulada ajuda o filho de fé, e também sabemos de sua capacidade de condensar suas substancias em grande quantidade, mas por curto espaço de tempo (diferentemente das plantas de tronco lenhoso).

Logo fácil de perceber que quando retiramos a erva de sua raiz, sua substância tende a se perder mais rápido ainda e se for desidratada, mais ainda e se for fervida, mais ainda.

Então se colhermos uma erva, secá-la e ferve-la, não restará nada de sua substância benfazeja?

Eis a questão!
Dependerá de como se continuará sua manipulação.
A colheita da erva deverá obedecer uma fase lunar, se for secá-la, sempre na sombra nunca no sol, e ao ferver para o uso, sempre ferver a água e colocar a erva com algo a tampar a evaporação por 30 minutos, isso evita que grande parte das substâncias se perca na evaporação.

Esta “receita” ou “dica” é apenas para um referencia. Pois vemos muita coisa sem propósito na utilização de ervas para fins mágico-terapeuta. Tais como: “ervas” compradas em caixinha, ervas sendo cozidas, quantidades indiscriminadas, sendo usadas de forma aleatória, sendo colhidas fora da lua “boa” etc...

Mas então as ervas compradas nos erveiros não servem?
Sim, servem. Mas primeiro deve-se fazer um vinculo de confiança com o Erveiro a titulo de não comprar “erva de bicho por erva daninha”, mesmo que ele não cultive e colha de forma correta, ainda assim a Erva mantém boa parte de seu principio ativo; podendo ser perfeitamente usada na mágia-terapeutica.

E as ervar desidratadas(secas). Mantém suas propriedades?
Sim, mas em escala muito menor(quanto mais frescas, mais principio ativo).

Então porque usar ervas desidratadas(secas)?
Por vários motivos. Por questão de não ter acesso a ervas frescas, por ser mais fácil acondicioná-las por mais tempo e usá-las com mais “Urgência”, como também por fatores culturais.

Por muito tempo a manipulação de ervas era tido como sendo Bruxaria ou coisa do gênero, sempre remetendo ao mal, com a desidratação da erva era mais fácil estocar e corria menos risco na sua manipulação; hoje não tememos por tais conceitos, mas a cultura fica impregnado por centenas de anos no inconsciente humano.

Mas a erva seca tem o mesmo poder de cura que a erva fresca? Obviamente que não. veja que o receituário dos Guias para banho por exemplo. eles receitam um banho ou dois com ervas frescas, quando receitado com ervas secas, o mesmo banho para a mesma magia-terapêutica passa a ser de 7 banhos ou mais.

Nota:
Também é bom observar que, a quantidade de banhos irá variar para que e por que.

Como funciona o efeito mágico-terapêutico das Ervas em nós?

Vamos simplificar para caber aqui. O corpo do ser humano é de vasta complexidade, juntando ao “corpo espiritual”, esta complexidade amplifica-se e muito. Mas com a sabedoria de alguns e do intercambio do Divino plano com o nosso plano, fomos entendendo que somos parte integrante da natureza e não donos ou senhor da mesma como alguns vivem e pensam.

Partindo deste principio, fácil perceber que toda a natureza pode ser manipulada(adequadamente)para o beneficio ou malefício de todo ser vivo, logicamente nós que somos parte disso. Quando nosso corpo físico e/ou o “corpo espiritual” se recente de falta ou excesso de alguma substância no seu equilíbrio de seu complexo sistema, podemos encontrar nas Ervas substâncias que irão recompor este complexo sistema. Como também para diversos outros fins.

Podemos usar ervas todos os dias e por qualquer motivo?
É de bom alvitre que, todo e qualquer exagero ou déficit de coisas aplicada em nosso sistema físico/espiritual não é prudente nem tampouco eficaz no que concerne a Mágia-Terapêutica.

Bom, é sempre receber o receituário de um Guia de Umbanda ou de um Zelador (a) abalizado, ou ainda de uma rezadeira(que nos grandes centros é raríssimo).

O mesmo é usar Ervas na forma de: “me disseram que é bom”.

Isso é o mesmo que usar remédio alopata sem receita profissional, como também a Homeopatia, que muitos dizem assim: “ah! É natural, se bem não fizer mal também não faz”. Isso é um erro capital, Homeopatia em erro pode levar ao aumento da enfermidade e até ao óbito.

Qual a finalidade deste texto?
Não é um receituário, mas é sempre bom o filho de pemba ter subsídios para no futuro atestar se estão sendo beneficiados ou se é mais uma vitima de equívocos...

Saravá a todos.

Pai Mauro Simões (Zelador de Umbanda do Terreiro de Umbanda Escola da Vida)

fonte:Comunidade Umbanda não é Macumba

segunda-feira, 4 de julho de 2011

DENDEZEIRO

Que outro vegetal pode ser mais importante para nosso contexto religioso que o dendezeiro?

Creio que podem existir outros tão importantes quanto ele mas nenhum mais importante do que ele.

Das suas folhas faz-se as franjas do mariwo, cortinas sagradas que têm por finalidade resguardar e separar o sagrado do profano.

De seus frutos extrai-se o óleo de palma, conhecido no Brasil como “azeite de dendê”, no Caribe como “manteca de corojo”, entre os nagô como “epo pupa” e entre todos os iniciados como "sangue vegetal".

Retirada a polpa de seus frutos, de onde se obtém o azeite, resta uma semente, pequeno caroço no interior do qual encontra-se um coquinho do qual se extrai um óleo finíssimo denominado “óleo de palmiche”, conhecido em yorubá pelo nome de “adi”. Este óleo seria a maior interdição de Exu e sua grande “kisila”.

Não bastassem os diferentes produtos que nos é fornecido por esta árvore, devemos nos reportar aos seus significados mais profundos.

O dendezeiro é a árvore sagrada de Ifá e é de seus frutos que se obtém os negros caroços que, depois de ritualisticamente consagrados, irão representar Orunmilá em seus assentamentos, além de servirem para as consultas ao oráculo de Ifá onde o próprio Orunmilá é contatado por seus sacerdotes, os babalaôs. Aos caroços assim consagrados dá-se o nome de “ikin”.

Somente os “coquinhos” que possuam quatro “olhos” ou mais servem para esta finalidade, sendo que aqueles que possuem apenas três olhos não devem ser usados para este fim.

Sabemos da existência de escolas que utilizam indiscriminadamente os caroços, independente da quantidade de olhos que possuam, mas não é meu objetivo questionar a validade deste fato na presente mensagem.

O que importa é deixar claro que, classificado científicamente como "Elaeis Guineensis", pertencente a familia das "palmáceas", este vegetal possui ainda duas variações que são a "communis" e a "idolatrica".
A primeira, “comum”, é a mais utilizada na cultura deste vegetal, por produzir, em maior quantidade, frutos maiores e que atendem melhor ao objetivo da produção de mais óleo.

A variedade “idolátrica” produz frutos menores e, por este motivo não é cultivada como sua irmã “comum”, mas é ela que produz as sementes de quatro ou mais olhos o que não ocorre em relação à espécie comum, que pode, ocasional e muito raramente oferecer-nos um caroço de quatro olhos entre milhares de três, e isto é uma exceção dificílima de ocorrer.
Esta diferença sempre foi conhecida pelos africanos que dão, ás duas espécies, nomes diferentes.

Segundo Verger, a variedade “communis” é conhecida pelos nagô pelos seguintes nomes:
Opè pánkóró; ìpánkóró; Opè arùnfó; Opè érúwa; Opè alárùn; Opè eléran; Opè òrùwá, etc.

A variedade “idolátrica” é conhecida como: Opè, Opè Ifá, Opè olífà, Opè kin; Opè ikin; Opè yáaàyàla; Opè peku pe ye; Opè kannakánná e Opè téméré erékè adó.

A questão é a que se segue:
será que existem, no Brasil, pés da variedade idolátrica?

Será que se consegue mudas da mesma?

Qualquer informação será de grande utilidade para todos pois é nossa obrigação conservarmos a palmeira sagrada do dendezeiro.

(Texto cedido gentilmente por Ogbebara - http://groups.msn.com/CENTRODEESTUDOS

DACULTURAAFROAMERICANACECAA)

fonte:Candomblé Verde

FOLHA DA COSTA - SAIÃO

Nome científico: Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers.
Sinonímia popular: Planta do Ar, Coirama, Coirama-Branca, Coirama-Brava, Folha-da-Costa, Paochecara, Sayao, Saião

A infusão é utilizada para baixar febres e para curar inflamações do trato urinário; o suco das folhas frescas batidas no liquidificador com água é indicado para gastrites e úlceras; suas folhas maceradas são utilizadas para picadas de insetos, acelerar o processo de cicatrização em ferimentos e queimaduras; a folha fresca aquecida serve para abcessos, furúnculos e dor de cabeça.
(Fonte: http://www.raintree-health.co.uk/cgi-bin/getpage.pl?/plants/coirama.html )

Uso litúrgico: A folha da costa é tida como sendo uma folha consagrada a Oxalá, mas oferecida a todos os Orixás. Diz-se que é a única folha que se pode utilizar para qualquer pessoa, sem o risco de kizila com o seu Orixá, ainda que este não seja conhecido. É utilizada nas obrigações de cabeça, banhos de limpeza e defesa.

fonte: Candomblé verde

BARBATIMÃO

Nome popular: BARBATIMÃO
Nome científico: Stryphnodendron barbatimam Mart.
Sinonímia popular: uabatimô, casca da virgindade, paricarana
Sinonímia científica: Acácia adstringens Mart
Parte usada: Cascas
Propriedades terapêuticas: Adstringente das gengivas, hemostática, emética, depurativa, anti-séptica, antidiarréica, vulnerária, tônica, antileucorréica, antiblenorrágica, antiescorbútica, antiasmática
Indicações terapêuticas: Úlceras, leucorréia, catarro uretrais e vaginais, blenorragia, diarréia, hemorragia

Uso medicinal:
As cascas de barbatimão têm grande poder adstringente. Externamente, reduzidas a pó, empregam-se no tratamento de úlceras e, em banhos e injeções, atuam contra a leucorréia, catarro uretrais e vaginais. Internamente utiliza-se seu decocto nas afecções escorbúticas, na blenorragia, na diarréia, na hemorragia, nas hemoptises e também na leucorréia.

Dosagens indicadas:
Pele oleosa: coloque 1 colher (sobremesa) de casca picada em 1 xícara (chá) de água. Ferva por 5 minutos. Espere esfriar, coe e acrescente o suco de meio limão e 1 colher (chá) de mel. À noite, aplique na pele do rosto, com um chumaço de algodão,deixando agir por 20 minutos. Após lave com água morna.

Hemorragias uterinas: coloque 1 xícara ( chá ) de casca picada, 1 xícara (chá) da raiz de algodoeiro e 1 xícara (chá ) de quiabo ainda não maduro, em 1 litro de água. Ferva durante 15 minutos e coe em tecido fino. Faça 1 ou 2 lavagens ao dia com esse líquido. Não obtendo melhora procure orientação médica.

Inflamação da garganta, corrimento vaginal, diarréias, hemorragias: coloque 2 colheres (sopa) de casca picada em 1 xícara (chá ) de álcool de cereais a 50%. Deixe em maceração por 3 dias e coe em tecido fino. Tome 1 colher (café), diluído em um pouco de água, de 2 a 3 vezes ao dia.
Feridas ulceradas: coloque 1 colher (sopa) de casca picada e 2 folhas fatiadas de confrei em 1/2 litro de água em fervura. Desligue o fogo, espere esfriar e coe. Aplique na ferida, com um chumaço de algodão, 2x ao dia.

Corrimento vaginal: coloque 2 colheres (sopa) de casca picada em 1/2 litro de água fervente. Espere amornar, coe e acrescente 1 colher (sopa) de vinagre branco ou suco de limão. Faça banhos locais, de 1 a 3x ao dia, até que o sintoma desapareça.

Contra-indicações:
Não foram encontradas referências sobre efeitos tóxicos.

Curiosidades:
O nome deriva do termo indígena Iba Timo que significa a árvore que aperta. É uma planta utilizada na indústria de curtumes e outrora muito procurada por prostitutas, daí o nome casca da virgindade, que até hoje lhe é aplicada.
A casca do barbatimão produz matéria tintorial vermelha que, quando precipitada convenientemente, produz tinta de escrever. Foi portanto muito utilizada na respectiva indústria em tempos passados.

Fonte: http://ci-66.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp?f_cod=19

Uso litúrgico:

Conforme informações do pesquisador e mestrando Ulysses Paulino de Albuquerque da Universidade Federal do Pernambuco, o barbatimão, associado ao angico, aroeira e mulungu é empregado no preparo de banhos de "descarrego", com o propósito de trazer bem estar e tranqüilidade ao usuário, acrescentando, ainda, seu uso em garrafadas medicinais.

Fonte: http://www.aguaforte.com/herbarium/Erythrina.html

Também é considerada uma erva dedicada a Xangô, utilizada nos banhos e abôs dos filhos desse Orixá.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

AS ERVAS E OS BANHOS NA UMBANDA E NO CANDOMBLÉ

As ervas ,tanto na Umbanda como no Candomblé, são fundamentais em determinados rituais.
Na Umbanda faz-se o amaci, que é um ritual de iniciação e ao mesmo tempo de firmeza do anjo-da-guarda do médium.

Na Umbanda e no Candomblé, as ervas são usadas em diversas cerimônias, tais como sacodimento, banho de abô,e também nos trabalhos. Existem ervas que atraem fortuna, amor, felicidade e saúde,entre outrs coisas; em contrpartida, há aquelas que separam casais, expulsam vizinhos ou afastam pessoas indesejáveis.

Na Umbanda as ervas também servem para o riyual de defumação, de forma diversas e para diversos fins. Sendo o pricipal fator afastar os maus fluidos e limpar o ambiente para uma boa vibração ou harmonia.

Cada orixá ou guia protetor tem as suas ervas preferidas. Essa preferência está ligada a diversos fatores, como formato, espécie,cor.etc...

Há algo muito importante que deve ser observado. As ervas são usadas de acordo com o anjo-de guarda, Orixá, de cada pessoa. Mas nem sempre a erva que tem a finalidade de sanar um determinado orgão pertence ao orixá que rege aquele orgão.Uma erva que pode servir para curar uma dor de cabeça pode não pertencer a Oxalá.

Os banhos de ervas são, de uma maneira geral, rituais onde utilizamos elementos da natureza com o intuito de que haja uma troca energética entre o indivíduo e esses elementos naturais utilizados. Os banhos de ervas servem principalmente para limpar as energias negativas, reequilibrar, aumentar a capacidade receptiva do aparelho mediúnico e desobstrução dos chacras.

Podem ser utilizados ervas secas ou frescas dando sempre preferência para as folhas frescas.

Os banhos de ervas frescas devem ser preparados por maceração, ou seja, as ervas devem ser colocadas em um recipiente com água e maceradas por alguns minutos. Ele deve ser preparado dentro de um ritual que consiste em:

1. Nunca ferver as folhas junto com a água.

2. As folhas devem ser maceradas ou quinadas e colocadas em vasilhas de louça, ágata ou potes de barro.

3. Em alguns casos, quando não houver necessidade de água quente, as ervas devem ser quinadas diretamente sobre a água.

4. É conveniente usar sempre água de boa qualidade, como por exemplo: água de mina, de poço ou água mineral.

Os banhos de ervas secas devem ser preparados por infusão, ou seja, essas ervas devem ser colocadas em uma vasilha com água fervente que será tampada e permanecerá assim por pelo menos 15 minutos. Lembrando que ervas secas não devem ser fervidas e que precisam ser ativadas antes de serem utilizadas. A ativação se faz amassando-as e apertando-as um pouquinho entre as mãos.

Basicamente existem os seguintes tipos de banhos:

Banho de Descarrego:
Serve para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Estamos o tempo todo em contato com diversas pessoas e ambientes onde o mal e as energias negativas são abundantes. Por mais que nos vigiemos ora ou outra baixamos nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando nessa egrégora de energia negativa. Se não nos cuidarmos vamos adquirindo doenças, distúrbios e podemos até ser obsediados, por isso o banho de descarrego é fundamental.

Há dois tipos de banho de descarrego:
o banho de sal grosso, que lava toda a aura desmagnetizando a pessoa (Este banho é muito eficiente para descarrego, porém não deve ser jogado na cabeça(usado somente em extrema necessidade que não se tem outra saída) e após este banho deve se tomar imediatamente um banho de ervas para equilibrar as energias, uma vez que ele realmente é capaz de tirar toda a energia da aura) e o banho de ervas de descarrego, que tem efeito mais duradouro e consequências maiores que o banho de sal grosso pois algumas ervas são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente a aura de uma pessoa eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas. Para preparar este tipo de banho devemos utilizar ervas quentes como arruda, guiné, aroeira, folhas de fumo, entre outras.

Banho de Defesa:
Serve para a manutenção energética dos chacras impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais como, por exemplo, em oferendas em campo de força ou quando vamos conhecer um novo terreiro. As ervas utilizadas para preparar este tipo de banho são aquelas relacionadas ao Orixá regente da pessoa ou aquelas que uma entidade receitar.

Banho de Energização:
Reativa os centros energéticos e refaz o teor positivo da aura. É um banho que devemos utilizar regularmente e que devemos tomar antes ou até mesmo depois de uma gira espiritual. Para o preparo deste tipo de banho devem ser utilizadas ervas mornas como pétalas de rosas brancas ou amarelas, alecrim, alfazema, levante, entre outras.

Banho de Fixação:
É utilizado para trabalhos ritualísticos e deve ser tomado apenas por médiuns que irão realizar um trabalho aprofundado e entrar em contato com entidades elevadas. Este banho abre todos os chacras aguçando a percepção mediúnica e as ervas utilizadas nele devem ser as indicadas pelo chefe de terreiro ou pela entidade.

O AMACI

Amaci é um banho de ervas que se faz no médium iniciante na Umbanda. Este banho é dado inclusive na cabeça do médium e tem a finalidade de limpar o campo astral e preparar o médium para entrar na corrente mediúnica. É uma preparação, uma espécie de primeira confirmação do médium na corrente.
É um vinculo energético do médium com o seu Orixá, com a casa e com o seu Babalorixá, porque somente ele pode dar este banho e colocar a mão na cabeça do médium. A partir deste ponto, o médium é um médium de Umbanda e está energeticamente vinculado ao seu Orixá.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ERVAS DE OGUM

Açoita-cavalo – Ivitinga:
Erva de extraordinários efeitos nas obrigações, nos banhos de descarrego e sacudimentos pessoais ou domiciliares. Muito usada na medicina caseira para debelar diarréias ou disenterias, e usada também no reumatismo, feridas e úlceras.

Açucena-rajada – Cebola-cencém:
Sua aplicação nas obrigações é somente do bulbo.Esta cebola somente é usada nos sacudimentos domiciliares.
A medicina caseira utiliza as folhas como emoliente.

Agrião:
excelente alimento. Sem uso ritualístico. Tem um enorme prestígio no
tratamento das doenças respiratórias. Usado como xarope põe fim às tosses e
bronquites, é expectorante de ação ligeira.

Arnica-erca lanceta:
É empregada em qualquer obrigação de cabeça, nos abô de purificação dos filhos do orixá Ogum. Excelente remédio na medicina caseira, tanto interna como externamente, usado nas contusões, tombos, cortes e lesões, para recomposição dos tecidos.

Aroeira:
É aplicada nas obrigações de cabeça, e nos sacudimentos, nos
banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. Usada como
adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e
resolve casos de inflamações do aparelho genital.

Cabeluda-bacuica:
Tem aplicações em vários atos ritualísticos, tais como ebori, simples ou completo, e é parte dos abô. Usado igualmente nos banhos de purificação.

Cana-de-macaco:
Usada nos abô de filhos, que estão recolhidos para feitura de santo. Esses filhos tomam duas doses diárias. Meio copo sobre o almoço e meio sobre o jantar.

Cana-de Brejo – Ubacaia:
Seu uso se restringe nos abô e também nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro e das artes manuais. Na medicina caseira é usado para combater afecções renais com bastante sucesso.
Combate a anuria, inflamações da uretra e na leucorréia. Seu princípio ativo é oestrifno. Há bastante fama referente ao seu emprego anti-sifilítico.

Canjerana – Pau-santo:
Em rituais é usada a casca, para constituir pó, que funcionará como afugentador de eguns e para anular ondas negativas. Seu chá atua como antifebril, contra as diarréias e para debelar dispepsias. O cozimento das cascas também é cicatrizador de feridas.

Carqueja:
Sem uso ritualísticos. A medicina caseira aponta esta erva como
cura decisiva nos males do estômago e do fígado. Também tem apresentado
resultado positivo no tratamento da diabetes e no emagrecimento.

Crista-de-galo – Pluma-de-princípe:
Não tem emprego nas obrigações do ritual. A medicina caseira a indica para curar diarréias.

Dragoeiro – Sangue-de-dragão:
Abrange aplicações nas obrigações de cabeça, abô geral e banhos de purificação. Usa-se o suco como corante, e todaa planta, pilada, como adstringente.

Erva-tostão:
Aplicada apenas em banhos de descarrego, usando-se as folhas. A medicina popular a utiliza contra os males do fígado, beneficiando o aparelho renal.

Grumixameira:
Aplicado em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos do orixá. A arte de curar usada pelo povo indica o cozimento das folhas em banhos aromáticos e na cura do reumatismo.
Banhos demorados eliminam a fadiga nas pernas.

Guarabu – Pau-roxo:
Aplicado em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Ogum. Usa-se somente as folhas que são aromáticas. A medicina caseira indica o chá das folhas, pois este possui
efeito balsâmico e fortificante.

Helicônia:
Utilizada nos banhos de limpeza e descarrego e nos abô de ori, na
feitura de santo e nos banhos de purificação dos filhos do orixá Ogum. A
medicina caseira a indica como debelador de reumatismo, aplicando-se o
cozimento de todas a planta em banhos quentes. O resultado é positivo.

Jabuticaba:
Usada nos banhos de limpeza e descarrego, os banhos devem ser tomados pelo menos quinzenalmente, para haurir forças para a luta indica o cozimento da entrecasca na cura da asma e hemoptises.

Jambo-amarelo:
Usado em quaisquer as obrigações de cabeça e nos abô.
São aplicadas as folhas, nos banhos de purificação dos filhos do orixá do ferro.
A medicina caseira usa como chá, para emagrecimento.

Jambo-encarnado:
Aplicam-se as folhas nos abô, nas obrigações de cabeça e nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro. Tem uso no ariaxé (banho lustral).

Japecanga:
Não tem aplicação nas obrigações de cabeça, nem nos abô relacionados com o orixá. A medicina caseira aconselha seu uso como depurativo do sangue, no reumatismo e moléstias de pele.

Jatobá – Jataí:
Erva poderosa, porém sem aplicação nas cerimônias do ritual. Somente é usada como remédio que se emprega aos filhos recolhidos para obrigações de longo prazo. Ótimo fortificante. Não possui uso na medicina popular.

Jucá:
Não tem emprego nas obrigações de ritual. No uso popular há um
cozimento demorado, das cascas e sementes, coando e reservando em uma
garrafa, quando houver ferimentos, talhos e feridas.

Limão-bravo:
Tem emprego nas obrigações de ori e nos abô e, ainda nos banhos de limpeza dos filhos do orixá. O limão-bravo juntamente com o xarope de bromofórmio, beneficia brônquios e pulmões, pondo fim às tosses rebeldes e crônicas.

Losna:
Emprega-se nos abô e nos banhos de descarrego ou limpeza dos filhos
do orixá a que pertence. É usada pela medicina caseira como poderoso
vermífugo, mais particularmente usada na destruição das solitárias, usando-se o chá. É energético tônico e debeladora de febres.

Óleo-pardo:
Planta utilizada apenas em banhos de descarrego. De muito prestígio na medicina caseira. Cozimento da raiz é indicado para curar úlceras e para matar bernes de animais.

Piri-piri:
A única aplicação litúrgica é nos banhos de descarrego. É extraordinário anti- hemorrágico. Para tanto, os caules secos e reduzidos a pó, depois de queimados, estancam hemorragias. O mesmo pó, de mistura com água e açúcar extermina a disenteria.

Poincétia:
Emprega-se em qualquer obrigação de ori, nos abô de uso externo,da mesma sorte nos banhos de limpeza e purificação dos filhos do orixá. A medicina caseira só o aponta para exterminar dores nas pernas, usando em banhos.

Porangaba:
Entra em quaisquer obrigações e, igualmente, nos abô. No tratamento popular é usada como tônico e importante diurético.

Sangue-de-dragão:
Tem aplicações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. Não possui uso na medicina popular.

São-gonçalinho:
É uma erva santa, pelas múltiplas aplicações ritualísticas a que está sujeita. Na medicina caseira usa-se como antitérmico e para combater
febres malignas, em chá.

Tanchagem:
Participa de todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação de filhos recolhidos ao ariaxé. É axé para os assentamentos do orixá do ferro e das guerras. Muito aplicada no abô de ori. A medicina popular ou caseira afirma que a raiz e as folhas são tônicas, antifebris e adstringentes. Excelente na cura da angina e da cachumba.

Vassourinha-de-igreja:
Entra nos sacudimentos de domicílio, de local onde o homem exerce atividades profissionais . não possui uso na medicina popular.

ERVAS DE EXU


Amendoeira:
Seus galhos são usados nos locais em que o homem exerce suas atividades lucrativas. Na medicina caseira, seus frutos são comestíveis, porém em grande quantidades causam diarréia de sangue. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas, muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos emolientes, além de amaciar a pele.

Amoreira:
Planta que armazena fluidos negativos e os solta ao entardecer; é usada pelos sacerdotes no culto a Eguns. Na medicina caseira, é usada para debelar as inflamações da boca e garganta.

Angelim-amargoso:
Muito usado em marcenaria, por tratar-se de madeira de lei. Nos rituais, suas folhas e flores são utilizadas nos abô dos filhos de Nanã, e as cascas são utilizadas em banhos fortes com a finalidade de destruir
os fluidos negativos que possam haver, realizando um excelente descarrego nos filhos de Exu. A medicina caseira indica o pó de suas sementes contra vermes.
Mas cuidado! Deve ser usada em doses pequenas.

Aroeira:
Nos terreiros de Candomblé este vegetal pertence a Exu e tem aplicação nas obrigações de cabeça, nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. É usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital. Também é de grande eficácia nas lavagensgenitais.

Arrebenta Cavalo:
No uso ritualístico esta erva é empregada em banhos fortes do pescoço para baixo, em hora aberta. É também usado em magias para atrair simpatia. Não é usada na medicina caseira.

Arruda:
Planta aromática usada nos rituais porque Exu a indica contra maus
fluidos e olho-grande. Suas folhas miúdas são aplicadas nos ebori, banhos de limpeza ou descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado a arruda morre. Ela é também usada como amuleto para proteger do mau-olhado. Seu uso restringe-se à Umbanda. Em seu uso caseiro é aplicada contra a verminose e reumatismos, além de seu sumo curar feridas.

Avelós – Figueira-do-diabo:
Seu uso se restringe a purificação das pedras do orixá antes de serem levadas ao assentamento; é usada socada. A medicina caseira indica esta erva para combater úlceras e resolver tumores.

Azevinho:
Muito utilizada na magia branca ou negra, ela é empregada nos pactos com entidades. Não é usada na medicina popular.

Bardana:
Aplicada nos banhos fortes, para livrar o sacerdote das ondas negativas e eguns. O povo utiliza sua raiz cozida no tratamento de sarnas, tumores e doenças venéreas.

Beladona:
Nas cerimônias litúrgicas só tem emprego nos sacudimentos domiciliares ou de locais onde o homem exerça atividades lucrativas. Trabalhos
feitos com os galhos desta planta também provocam grande poder de atração.
Pouco usada pelo povo devido ao alto princípio ativo que nela existe. Este
princípio dilata a pupila e diminui as secreções sudorais, salivares, pancreáticas e lácteas.

Beldroega:
Usada na purificação das pedras de Exu. O povo utiliza suas folhas, socadas, para apressar cicatrizações de feridas.

Brinco-de-princesa:
É planta sagrada de Exu. Seu uso se restringe a banhos fortes para proteger os filhos deste orixá. Não possui uso popular.

Cabeça-de-nego:
No ritual a rama é empregada nos banhos de limpeza e o bulbo nos banhos fortes de descarrego. Esta batata combate reumatismo, menstruações difíceis, flores brancas e inflamações vaginais e uterinas.

Cajueiro:
Suas folhas são utilizadas pelo axogun para o sacrifício ritual de
animais quadrúpedes. Em seu uso caseiro, ele combate corrimentos e flores
brancas. Põe fim a diabetes. Cozinhar as cascas em um litro e meio de água por cinco minutos e depois fazer gargarejos, põe fim ao mau hálito.

Cana-de-açúcar:
Suas folhas secas e bagaços são usadas em defumações para purificar o ambiente antes dos trabalhos ritualísticos, pois essa defumação destrói eguns. Não possui uso na medicina caseira.

Cardo-santo:
Essa planta afugenta os males, propicia o aparecimento do perdido e faz cair os vermes do corpo dos animais. Na medicina caseira suas folhas são empregadas em oftalmias crônicas, enquanto as raízes e hastes são empregadas contra inflamações da bexiga.

Catingueira:
É muito empregada nos banhos de descarrego. Seu sumo serve para fazer a purificação das pedras. Entretanto, não deve fazer parte do axé de Exu onde se depositam pequenos pedaços dos axé das aves ou bichos de quatro
patas. Na medicina caseira ela é indicada para menstruações difíceis.

Cebola-cencém:
Essa cebola é de Exu e nos rituais seu bulbo é usado para os sacudimentos domiciliares. É empregada da seguinte maneira : corta-se a cebola em pedaços miúdos e, sob os cânticos de Exu, espalha-se pelos cantos dos cômodos e embaixo dos móveis; a seguir, entoe o canto de Ogum e despache para Exu. Este trabalho auxilia na descoberta de falsidades e objetos perdidos. O povo utiliza suas folhas cozidas como emoliente.

Cunanã:
Seu uso restringe-se aos banhos de descarrego e limpeza. Substituiu em parte, os sacrifícios a Exu. A medicina caseira indica os galhos novos desta planta para curar úlceras.

Erva-preá:
Empregada nos banhos de limpeza, descarrego, sacudimentos pessoais e domiciliares. O povo usa o chá desta erva como aromatizante e excitante.
Banhos quentes deste chá melhoram as dores nas articulações,causadas pelo artritismo.

Facheiro-Preto:
Aplicada somente nos banhos fortes de limpeza e descarrego. Na medicina caseira, ela é utilizada nas afecções renais e nas diarréias.

Fedegoso Crista-de-galo:
Esta erva é utilizada em banhos fortes, de descarrego, pois é eficaz na destruição de Eguns e causadores de enfermidades e doenças. Seus galhos envolvem os ebó de defesa. Com flores e sementes desta planta é feito um pó, o qual é aplicado sobre as pessoas e em locais; é denominado “o pó que faz bem”. Na medicina caseira atua com excelente regulador feminino. Além de agir com grande eficácia sobre erisipelas e males do fígado. É usada pelo povo, fazendo o chá com toda erva e bebendo a cada duas horas uma xícara.

Fedegoso:
Misturada a outras ervas pertencentes a Exu, o fedegoso realiza
os sacudimentos domiciliares. É de grande utilidade para limpar o solo onde
foram riscados os pontos de Exu e locais de despacho pertencentes ao deus da liberdade.

Figo Benjamim:
Erva usada na purificação de pedras ou ferramentas e na preparação do fetiche de Exu. É empregada também em banhos fortes nas pessoas obsediadas No uso popular, suas folhas são cozidas para tratar feridas rebeldes e debelar o reumatismo.

Figo do Inferno:
Somente as folhas pertencentes a este vegetal são de Exu. Na liturgia, ela é o ponto de concentração de Exu. Não possui uso na medicina popular.

Folha da Fortuna:
É empregada em todas as obrigações de cabeça, em banhos de limpeza ou descarrego e nos abôs de quaisquer filhos-de-santo. Na medicina caseira é consagrada por sua eficácia, curando cortes, acelerando a cura nas cicatrizações, contusões e escoriações, usando as folhas socadas
sobre os ferimentos. O suco desta erva, puro ou misturado ao leite, ameniza as conseqüências de tombos e quedas.

Juá – Juazeiro:
É usada para complementar banhos fortes e raramente está incluída nos banhos de limpeza e descarrego. Seus galhos são usados para cobrir o ebó de defesa. A medicina caseira a indica nas doenças do peito, nos
ferimentos e contusões, aplicando as cascas, por natureza, amargas.

Jurema Preta:
Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, a Jurema Preta é usada nos banhos de descarrego e nos ebó de defesa. O povo a indica no combate a úlceras e cancros, usando o chá das cascas.

Jurubeba:
Utilizada em banhos preparatórios de filhos recolhidos ao ariaxé.
Na medicina caseira, o chá de suas folhas e frutos propiciam um melhor
funcionamento do baço e fígado. É poderoso desobstruente e tônico, além de
prevenir e debelar hepatites. Banhos de assentos mornos com essa erva
propiciam melhores às articulações das pernas.

Lanterna Chinesa:
Utilizada em banhos fortes para descarregar os filhos atacados por eguns. Suas flores enfeitam a casa de Exu. Popularmente, é usada como adstringente e a infusão das flores é indicada para inflamação dos olhos.

Laranjeira do Mato:
Seu uso se restringe a banhos fortes, de limpeza e descarrego. Na medicina caseira ela atua com grande eficácia sobre as cólicas abdominais e também menstruais.

Mamão Bravo:
Planta utilizada nos banhos de limpeza, descarrego e nos banhos fortes. Além de ser muito empregada nos ebó de defesa, sendo substituída de três em três dias, porque o orixá exige que a erva esteja sempre nova. O povo a utiliza para curar feridas.

Maminha de Porca:
Somente seus galhos são usados no ritual e em sacudimentos domiciliares. O povo a indica como restaurador orgânico e tonificador do organismo. Sua casca cozida tem grande eficácia sobre as mordeduras de cobra.

Mamona:
Suas folhas servem como recipiente para arriar o ebó de Exu. Suas sementes socadas vão servir para purificar o otá de Exu. Não tem uso na medicina popular.

Mangue Cebola:
No ritual, a cebola é usada nos sacudimentos domiciliares.
Corte a cebola em pedaços miúdos e, entoando em voz alta o canto de Exu, a
espalhe pela casa, nos cantos e sob os móveis. Na medicina caseira, a cebola do mangue esmagada cura feridas rebeldes.

Mangueira:
É aplicada nos banhos fortes e nas obrigações de ori, misturada com aroeira, pinhão-roxo, cajueiro e vassourinha-de-relógio, do pescoço para baixo. Ao terminar, vista uma roupa limpa. As folhas servem para cobrir o terreiro em dias de abaçá. Na medicina caseira é indicada para debelar diarréias rebeldes e asma. O cozimento das folhas, em lavagens vaginais, põe fim ao corrimento.

Manjerioba:
Utilizada nos banhos fortes, nos descarregos, nas limpezas pessoais e domiciliares e nos sacudimentos pessoais, sempre do pescoço para baixo. O povo a indica como regulador menstrual, beneficiando os órgãos genitais. Utiliza-se o chá em cozimento.

Maria Mole:
Aplicada nos banhos de limpeza e descarrego, muito procurada para sacudimentos domiciliares. O povo a indica em cozimento nas dispepsias e
como excelente adstringente.

Mata Cabras:
Muito utilizado para afugentar eguns e destruir larvas astrais. As pessoas que a usam não devem tocá-la sem cobrir as mãos com pano ou papel, para depois despachá-la na encruzilhada. O povo indica o cozimento de suas folhas e caules para tirar dores dos pés e pernas, com banho morno.

Mata Pasto:
Seus galhos são muito utilizados nos banhos de limpeza, descarrego, nos sacudimentos pessoais e domiciliares. O povo a indica contra febres malignas e incômodos digestivos.

Mussambê de Cinco Folhas:
Obs.: Sejam eles de sete, cinco, ou três folhas, todos possuem o mesmo efeito, tanto nos trabalhos rituais, quanto na medicina caseira. Esta erva é utilizada por seus efeitos positivos e por serem bem aceitas por Exu no ritual de boas vindas. Na medicina caseira é excelente para curar feridas.

Ora-pro-nobis:
É erva integrante do banho forte. Usada nos banhos de descarrego e limpeza. É destruidora de eguns e larvas negativas, além de entrar nos assentamentos dos mensageiros Exus. No uso caseiro, suas folhas atuam como emolientes.

Palmeira Africana:
Suas folhas são aplicadas nos banhos de descarrego ou de limpeza. Não possui uso na medicina caseira.

Pau D’alho:
Os galhos dessa erva são utilizados nos sacudimentos domiciliares e em banhos fortes, feitos nas encruzilhadas, misturadas com aroeira, pinhão branco ou roxo. Na encruzilhada em que tomar o banho, arrie um mi-ami-ami, oferecido a Exu, de preferência em uma encruzilhada tranqüila.
Na medicina caseira ela é usada para exterminar abscessos e tumores. Usa-se
socando bem as folhas e colocando-as sobre os tumores. O cozimento de suas
folhas, em banhos quentes e demorados, é excelente para o reumatismo e
hemorróidas.

Picão da Praia:
Não possui uso ritualístico. A medicina caseira o indica como diurético e de grande eficácia nos males da bexiga. Para isso utilize-o sob a
forma de chá.

Pimenta Darda:
“Aplicada em banhos fortes e nos assentamentos de Exu.
Na medicina caseira, suas sementes em infusão são anti-helmínticas,
destruindo até ameba.

Pinhão Branco:
Aplicada em banhos fortes misturadas com aroeira. Esta planta possui o grande valor de quebrar encantos e em algumas ocasiões substitui o sacrifício de Exu. Suas sementes são usadas pelo povo como purgativo. O leite encontrado por dentro dos galhos é de grande eficácia colocado sobre a erisipela. Porém, deve-se Ter cuidado, pois esse leite contém
uma terrível nódoa que inutiliza as roupas.

Pinhão Coral:
Erva integrante nos banhos fortes e usadas nos de limpeza e descarrego e nos ebó de defesa. Na medicina caseira o pinhão coral trata feridas rebeldes e úlceras malignas.

Pinhão Roxo:
No ritual tem as mesmas aplicações descritas para o pinhão branco. É poderoso nos banhos de limpeza e descarrego, e também nos sacudimentos domiciliares, usando-se os galhos. Não possui uso na medicina popular.

Pixirica – Tapixirica:
No ritual faz parte do axé de Exu e Egun. Dela se faz um excelente pó de mudança que propicia a solução de problemas. O pó feito de suas folhas é usado na magia maléfica. Na medicina caseira ela é indicada para as palpitações do coração, para a melhoria do aparelho genital feminino e nas doenças das vias urinárias.

Quixambeira:
É aplicada em banhos de descarrego e limpeza para a destruição de eguns e ao pé desta planta são arriadas obrigações a Exu e a Egun. Na medicina caseira, com suas cascas em cozimento, atua como energético adstringente. Lavando as feridas, ela apressa a cicatrização.

Tajujá – Tayuya:
É usada em banhos fortes, de limpeza ou descarrego. A rama do tajujá é utilizada para circundar o ebó de defesa. O povo a indica como forte purgativo.

Tamiaranga:
É destinada aos banhos fortes, banhos de descarrego e limpeza. É usada nos ebó de defesa. O povo a indica para tratar úlceras e feridas malignas.

Tintureira:
Utilizada nos banhos fortes, de limpeza ou descarrego. Bem próximo ao seu tronco são arriadas as obrigações destinadas a Exu. O povo utiliza o cozimento de suas folhas como um energético desinflamatório.

Tiririca:
Esta plantinha de escasso crescimento apresenta umas pequeninas batatas aromáticas. Estas são levadas ao fogo e, em seguida, reduzida a pó, o qual funciona como pó de mudança no ritual. Serve para desocupar casas e, colocadas embaixo da língua, desodoriza o hálito e afasta eguns.

Urtiga Branca:
É empregada nos banhos fortes, nos de descarrego e limpeza e nos ebó de defesa. Faz parte nos assentamentos. O povo a indica contra as hemorragias pulmonares e brônquicas.

Urtiga Vermelha:
Participa em quase todas as preparações do ritual, pois entra nos banhos fortes, de descarrego e limpeza. É axé dos assentamentos de Exu e utilizada nos ebó de defesa. Esta planta socada e reduzida a pó, produz
um pó benfazejo. O povo indica o cozimento das raízes e folhas em chá como
diurético.

Vassourinha de Botão:
Muito empregada nos sacudimentos pessoais e domiciliares. Não possui uso na medicina popular.

Vassourinha de Relógio:
Ela somente participa nos sacudimentos domiciliares. Não possui uso na medicina caseira.

Xiquexique:
Participa nos banhos fortes, de limpeza ou descarrego. São axé nos assentamentos de Exu e circundam os ebó de defesa. O povo indica esta
erva para os males dos rins.

ERVAS DE OXÓSSI

Acácia-jurema:
Usada em banhos de limpeza, principalmente dos filhos de Oxóssi. É também utilizada em defumações. A medicina popular a utiliza em banhos ou compressas sobre úlceras, cancros, fleimão e nas erisipela.

Alecrim de Caboclo:
Erva de Oxalá, porém mais exigido nas obrigações de Oxóssi. Não possui uso na medicina popular.

Alfavaca-do- campo:
Emprega-se nas obrigações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô dos filhos do orixá a que pertence. A medicina caseira aplica esta planta para combater as doenças do aparelho respiratório, combate principalmente as tosses e o catarro dos brônquios; preparado como xarope é eficaz contra a coqueluche. Usada em chá ou cozimento das folhas.

Alfazema-de- caboclo:
Conhecida popularmente como jureminha, a Alfazema é usada em todas as obrigações de cabeça, nos banhos de limpeza ou abô e nas defumações pessoais ou de ambientes. A medicina caseira usa os pendões florais, contra as tosses e bronquites, aplicando o chá.

Araçá – Araçá-de-coroa:
Suas folhas são aplicadas em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e banhos de purificação. A medicina popular considera essa espécie como um energético adstringente. Cura desarranjos intestinais e põe fim às cólicas.

Araçá-da-praia:
Planta arbórea pertencente a Yemanjá e a Oxóssi. É empregada nas obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos dos orixás a que pertence. No uso popular cura hemorragias, usando-se o cozimento. Do mesmo modo também é utilizado para fazer lavagens genitais.

Araçá-do-campo:
É utilizada em banhos de limpeza ou descarrego e em defumações de locais de trabalho. A medicina popular emprega o chá contra a diarréia ou disenteria e como corretivo das vias urinárias.

Caapeba-pariparoba:
Muito usada nas obrigações de cabeça e nos abô para as obrigações dos filhos recolhidos. Folha de muito prestígio nos Candomblés Ketu, pois serve para tirar mão de zumbi. A medicina popular utiliza seu chá para debelar males do fígado, e o cozimento das raízes para extinguir as doenças do útero. Surte efeito diurético.

Cabelo-de-milho:
Somente o pé do milho pertence a Oxóssi; as espigas de milho em casa propicia despensa farta. Quando secar troque-a por outra verdinha. O cabelo-de-milho é muito usado pela medicina do povo como diurético e dissolvente dos cálculos renais. É usado em chá.

Capim-limão :
Erva sagrada de uso constante nas defumações periódicas que se fazem nos terreiros. Propicia a aproximação de espíritos protetores. A medicina caseira a aplica em vários casos: para resfriados, tosses, bronquites, também nas perturbações da digestão, facilitando o trabalho do estômago.

Cipó-caboclo:
Muito utilizada em banhos de descarrego. O povo lhe dá grande prestígio ao linfantismo, por meio de banhos. Usada do mesmo modo combate inflamações das pernas e dos testículos.

Cipó-camarão:
Usada apenas em banhos de limpeza e defumações. O povo indica que, em cozimento é de grande eficácia no trato das feridas e contusões.

Cipó-cravo:
Não possui uso ritualístico. Na medicina caseira atua como debelador das dispepsias e dificuldade de digestão. Usa-se o chá ao deitar. É pacificador dos nervos e propicia um sono tranqüilo. A dose a ser usada é uma xícara das de café ao deitar.

Coco-de-iri:
Sua aplicação se restringe aos banhos de descarrego, empregando-se as folhas. A medicina caseira indica as suas raízes cozidas para por fim aos males do aparelho genital feminino. É usado em banhos semicúpios e lavagens.

Erva-curraleira:
Aplicada em todas as obrigações de cabeça e nos abô dos filhos do orixá da caça. Na medicina popular é aplicada como diurético e sudorífico, sendo muito prestigiada no tratamento da sífilis. Usa-se o cozimento das folhas.

Goiaba – Goiabeira:
É utilizada em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Oxóssi. A medicina caseira usa a goiabeira como adstringente. Cura cólicas e disenterias. Excelente nas diarréias infantis.

Groselha – Groselha-branca:
Suas folhas e frutos são utilizados nos banhos de limpeza e purificação. A medicina popular diz que se fabrica com o fruto um saboroso xarope que se aplica nas tosses rebeldes que ameaçam os brônquios.

Guaco cheiroso:
Aplica-se nas obrigações de cabeça e em banhos de limpeza. Popularmente, esta erva é conhecida como coração-de-Jesus. Medicinalmente, combate as tosse rebeldes e alivia bronquites agudas, usando-se o xarope. Como antiofídico (contra o veneno de cobra), usam-se as folhas socadas no local e, internamente, o chá forte.

Guaxima-cor- de rosa:
Usada em quaisquer obrigações de cabeça e nos abô dos filhos do orixá da caça. É de costume usar galhos de guaxima em sacudimentos pessoais e domiciliares. Muito útil o banho das pontas. A medicina popular usa as flores contra a tosse; as folhas são emolientes; as pontas, sementes e frutos são antifebris.

Guiné-caboclo:
Utilizado em todas as obrigações de cabeça, nos abô, para quaisquer filhos, nos banhos de descarrego ou limpeza, etc. Indispensável na Umbanda e no Candomblé. O povo usa para debelar os males dos intestinos, beneficia o estômago na má digestão. Usa-se o chá.

Hissopo – Alfazema-de caboclo:
Aplicada nos ebori e nas lavagens de contas, do mesmo modo é empregado nos abô para limpeza dos iniciados. É muito usado nas afecções respiratórias, elimina o catarro dos brônquios. Usa-se o chá.

Incenso-de-caboclo – Capim-limão:
Usada nas defumações de ambientes e nos banhos de descarrego. O povo a utiliza para exterminar resfriados, minorar as bronquites e, também, nas perturbações da digestão.

Jaborandi:
De grande aplicação nas várias obrigações. A medicina popular adotou esta planta como essencial na lavagem dos cabelos, tornando-os sedosos e brilhantes. Tem grande eficácia nas pleurisias, nas bronquites e febres que tragam erupções. Usa-se o chá internamente.

Jacatirão:
Pleno uso em quaisquer obrigações. O seu pé, e cepa são lugares apropriados para arriar obrigações. Não possui uso na medicina caseira.

Jurema branca:
Aplicada em todas as obrigações de ori, em banhos de limpeza ou descarrego e entra nos abô. É de grande importância nas defumações ambientais. A medicina caseira indica as cascas em banhos e lavagens como adstringente. Em chá tem efeito narcótico, corrigindo a insônia.

Malva-do-campo – Malvarisco:
Seu uso se restringe aos banhos descarrego e limpeza. O povo a indica como desinflamadora nas afecções da boca e garganta. É emoliente, propiciando vir a furo os tumores da gengiva. Usa-se em bochechos e gargarejos.

Piperegum-verde – Iperegum-verde:
Erva de extraordinários efeitos nas várias obrigações do ritual. A medicina aponta-a como debeladora de reumatismo, usando-se banhos e compressas.

Piperegum-verde- e-amarelo:
Tem o mesmo uso ritualístico prescrito para o piperegum de Oxóssi. Na medicina popular é o mesmo que piperegum-verde.

Pitangatuba:
Usado em quaisquer obrigações de ori, ebori, lavagem de contas e dar de comer à cabeça. A farmácia do povo indica em chá, nos casos de febres e também para desobstruir os brônquios.

terça-feira, 17 de maio de 2011

ERVAS NA UMBANDA

Por quê estudar ervas na Umbanda?

Porque as ervas estão presentes em todas as religiões, dentro de todos os rituais religiosos, desde sempre. E a Umbanda é a religião da natureza. Da natureza elemental e da natureza humana.

As ervas são organismos vivos. Há uma vida espiritual contida em cada erva. Isso é chamado de *Imanescência Divina, o espírito vivo de Deus que anima tudo. Dos elementos da natureza o mais parecido com o da natureza humana é o vegetal, pois ele nasce, cresce, se reproduz e morre. Esse espírito vivo possui características energéticas definidas pela vibração passada aos organismos à sua volta. Essa vibração magnética é polarizada, ou seja, pode ser positiva ou negativa. Então, uma erva é atribuída a um orixá por analogia vibratória. Energia que está presente na vibração do orixá com a energia que está presente na vibração da erva.

Para o uso correto de uma erva é necessário saber: o nome da erva e o verbo atuante. **Verbo é o poder realizador divino, é o poder de transformação, consequentemente é magia. O que movimenta ou ativa o poder realizador é o propósito, a intenção.

Uma mesma erva pode proporcionar mais de um poder realizador. Como exemplo a hortelã que é antigripal, vermífugo, estimulante, refrescante, etc.

Uma mesma erva pode ser atribuída a varios orixás. Não pela sua cor, seu formato ou seu visual, e sim pela vibração. Afinal, os orixás estão ligados entre si.

Pode-se usar ervas frescas ou ervas secas. A erva fresca carrega em si a imanescência divina, o fator vegetal e o fator aquático. A erva seca carrega todos os fatores anteriores e mais ainda o fator concentrador, pois sofre o processo de desidratação. Qual é a melhor?

A melhor é aquela indicada pelo seu guia ou protetor de acordo com a necessidade. Ou ainda, nos dias corridos de hoje, a que está mais fácil de se obter. Também sempre lembrar que a lua influencia na quantidade de água na planta. Em luas cheias e crescente haverá mais água nas folhas, e em luas nova e minguante, nas raizes.

As ervas são classificadas como Quentes ou Agressivas, Mornas ou Equilibradoras e Frias ou Específicas. Isso não é uma classificação de acordo com a temperatura da erva, e sim de acordo com seus fatores.

As ervas quentes ou agressivas carregam o poder de agredir estruturas energéticas negativas. Dissolvem larvas astrais, miasmas e cascões energéticos. São muito usadas pelos exus, pelo campo de ação deles, pois atuam na natureza humana, nas linhas de choque (demandas, magias negativas, projeções mentais, etc.). Seus verbos mais utilizados são: limpar, consumir, purificar, dissolver, descarregar. Exemplos mais comuns de ervas quentes: cacto, urtiga, arruda, guiné, comigo-ninguém-pode.

As ervas mornas ou equilibradores carregam o poder de equilibrar, tornar magneticamente receptivo, adequar o padrão energético para não atrair o semelhante. Reconstitui a aura que pode ter sido “esburacada” por cargas negativas. Seus verbos mais utilizados são: equilibrar, manter, adequar, fluir, restaurar, energizar. Exemplos mais comuns das ervas mornas são: hortelã, alevante, sálvia, alfazema, alecrim.

As ervas frias ou específicas tem o seu poder de atuação depois de limpar e de equilibrar. São usadas para mediunidade, para atrair bons fluidos, para prosperidade, para fitoterapia, etc. Exemplos mais comuns de ervas frias são: rosa, anis, jasmim, malva, café, louro, melissa, manjericão.

Observar que uma erva pode ser ao mesmo tempo quente, morna e fria, pois carrega mais de um fator realizador. Os padrões energéticos se complementam, nunca se anulam. Então, por exemplo, pode-se associar o uso de todas elas na preparação de um banho. Neste caso volto a frisar a palavra mágica “intenção”. Sempre colocar intenção no uso de uma erva. E esperar o merecimento...

Quando é falado em erva subentende-se toda a planta: raiz, caule, folhas, frutos e sementes. Existem também as resinas, que são a seiva vegetal endurecida extraídas da casca das árvores, muito usadas em defumações.

Sabendo de tudo isso, estaremos mais qualificados para preparar nossos banhos, para entender o uso de uma defumação, entender o uso das ervas em um amaci, e o uso do fumo pelas entidades na Umbanda.

Simone Omolubá de Iansã

fonte:blog Umbanda on Line
http://wwwumbandaonline.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

JUREMA (Mimosa hostilis)

O nome "Jurema" vem do tupi-guarani, onde Ju significa "espinho" e Remá, "cheiro ruim".

A jurema é uma planta da família da leguminosas. Os frutos das plantas leguminosas são vagens. Existem várias espécies de jurema, como por exemplo: Jureminha, Jurema Branca, Jurema Preta, Jurema da Pedra e Jurema Mirim.

A Jurema, também conhecida como Jurema-preta, também é nome de uma Bebida Sagrada feita com a raiz da árvore do mesmo nome (Mimosa hostilis).

Os pajés, sacerdotes tupis, também fazem outra Bebida Sagrada da jurema-branca (Mimosa verrucosa), para estimular sonhos afrodisíacos. É um tipo de Bebida Sagrada servida em reuniões especiais.

Das raízes e raspas dos galhos, os feiticeiros e pajés, babalorixás, os mestres do catimbó, os pais-de-terreiro do candomblé de caboclo fazem uso abundante.
Sua substância ativa é o DMT (N-dimetiltriptamina).

É utiliza tradicionalmente para fins medicinais e religiosos.

Sua casca é usada para fins medicinais e a casca de sua raiz é a parte da planta usada nas cerimônias religiosas, pois possui maior parte dos alcalóides psicoativos.

Esta planta tem muita importância no culto espiritual dos caboclos e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, tanto que dá nome a um culto chamado de "Culto à Jurema".

A jurema é utilizada para tomar banho de descarga com suas folhas.
Serve como defumador , cura de dor de dente, doenças sexualmente transmissíveis, insônia, nervos, dores de cabeça.

Faz ainda: figas, patuás, rosários. Utiliza-se para fazer rezas com suas folhas contra mau-olhado e olho-grande.

Serve ainda para fazer um dos maiores fundamentos do Culto à Jurema, que é uma bebida à base de infusão das folhas da jurema, com casca do tronco e da raiz misturado com mel de abelha, garapa de cana-de-açúcar e cachaça. Essa é a bebida preferida dos Encantados que baixam no Toré e no Culto à Jurema.

Arvore tipicamente paraibana, a jurema é venerada quase como uma divindade. Frondosa e de beleza impressionante, vive mais de 200 anos, é espinheira e sua fama corre o Brasil e o mundo.

Segundo a crença indígena, possui poderes milagrosos, emanando fluidos benéficos.

Em sua parte externa existe uma camada de lodo empregada em defumações, para o banho de limpeza.

Da casca, flor, e folhas são extraídas emulsões para o preparo de bebidas, banhos aromáticos para afastar entidades maléficas e fortificar os mestres.

pesquisa: aurea oliveira

ERÓ EWÈ - SEGREDO DAS FOLHAS

Eró ewè (segredo das folhas) ou ervas, são indispensáveis no conteúdo nas “Obrigações ritualísticas”aos Òrìsàs.

A teoria da correspondência mística mostra-nos que cada planta representa um Òrìsà, como várias delas representam vários Òrìsàs.

Na vida ou existência das plantas entram fatores diversos a mantê-las e, por está razão, elas crescem e se desenvolvem sob a égide da proteção divina; recebendo os fluídos positivos e benfazejos que emanam de “Olóòrun” (Deus), as ervas (folhas) armazenam substâncias relacionadas com cada Òrìsà, e essas substâncias se denominam fluídos da energia astral.

“As ervas de Òrìsàs se dividem em 3 partes primordiais, a saber:
POSITIVAS, NEGATIVAS e NEUTRAS.

Elas são catalogadas, conforme a fase lunar da colheita:

POSITIVAS = deverão ser colhidas na fase lunar Crescente ou Cheia;
NEGATIVAS = deverão ser colhidas na fase lunar Minguante;
NEUTRAS = deverão ser colhidas na fase lunar Nova.

Entretanto a sua polarização final vai sempre depender das seguintes condições explícitas:

- “Vibração de quem vai usá-las”
– “Vibração das demais ervas utilizadas”
– “Vibração da intenção com que serão usadas”.


POSITIVAS = São ervas que, quando usadas, só positivam, não podendo ser intrinsecamente usadas para outro tipo de trabalho.

NEGATIVAS = São ervas usadas explicitamente para trabalhos negativos.

NEUTRAS = São todas as ervas que servem para, material ou espiritualmente, neutralizar o efeito de outras ervas, o efeito de doenças, assim como, o efeito de vibrações negativas e/ou positivas.

Paulo de Xangô

pesquisa:aurea oliveira

TUDO SOBRE O MILHO (ÀGBÀDÓ)

Àgbàdó (milho)

Venerado companheiro, o àgbàdó (milho) é consagrado não só ao orisá da caça (Odé), mas também está ligada ao culto de Osalá, Ogún e Sangò, sendo fundamental ainda nos rituais ao inkissi Dandalunda.

Nome Yorubá- Àgbàdó

Nome científico – Zea Mays L., Gramineae, Sinonímia: Mays americana Baumg.; Mays vulgaris Ser.; Mays zea Gaertn.; Talysia mays Kuntze; Zea alba Mill.; Zea altissima C.C. Gmel.; Zea americana Mill.; Zea amylacea Sturtev.; Zea amylacea saccharata Sturtev.; Zea cryptosperma Bonaf.; Zea everta Sturtev.; Zea indentata Sturtev.; Zea indurata Sturtev.; Zea maiz Vell.; Zea minor C.C. Gmel.; Zea praecox Steud.; Zea saccharata Sturtev.; Zea segetalis Salisb.; Zea tunicata Sturtev.; Zea vaginata Sturtev.; Zea vulgaris Mill.

Nome popular- Milho, Português; Maïs, na Alemanha; Maíz, Borona, Grano Turco, Mais, Maíz de Indias, Panizo de Indias, em espanhol; Blé de Turquie, Gaude e Maïs, na França; Corn e Silk, em inglês; Fromentone e Grano Turno, na Itália.

Descrição :
Trata-se de uma planta herbácea de alto porte (até 2,5 metros de altura), pertencente à família das Pascias (Gramíneas), caracterizada por apresentar caules eretos com folhas alternadas, largas, lanceoladas, com bainhas, de margem áspera e cortante; flores masculinas reunidas em panículas terminais, e femininas séseis, reunidas em espigas de tamanho grande rodeadas por brácteas membranosas entre as que emergem numerosos estilos filiformes.
O fruto aparece em cariópside, redondo, brilhante, de cor amarelada, inserido no eixo engrossado da inflorescência.

Origem
O milho seria originário de América do Sul, ainda que existam algumas dúvidas sobre seu real lugar primogênito devido a que não foi conhecido em estado silvestre. Alguns indicam que seria originário do Peru, outros indicam Colômbia e um terceiro a América Central, tendo havido historiadores que fizeram referência a origem asiática (Birmânia ou as colinas de Naga), ainda que esta teoria tenha pouca credibilidade.
O certo é que o milho é cultivado atualmente em todo o mundo, sendo os Estados Unidos o principal produtor. Junto ao arroz e o trigo constituem os principais alimentos vegetais para a humanidade

Parte utilizada
Os estilos e estigmas (conhecidos popularmente como "barba de choclo") e a fração insaponificável de óleo de germe de milho. Os estilos e estigmas se colhem quando o fruto está amadurecido.
A separação do gérmen a partir da trituração do grão permite através do mecanismo de pressão e calor (previamente lavado para eliminar restos de amidos e glúten) obter o óleo de milho cru, o qual logo é clarificado por filtração e decantação e posteriormente refinado para eliminar os ácidos graxos por esfriamento e filtração.

História
O milho constituiu o cereal mais importante da América devido a importância dos amidos na alimentação e a indústria. Tem-se encontrado restos fósseis do pólen de milho que datam de 6.000 - 6.500 anos de antigüidade. Na América começaram a cultivar a partir do século XV, existindo algumas referências de seu conhecimento pelos astecas.

Os nativos peruanos extraíam desta planta alcalóides os quais eram utilizados em cerimoniais religiosos. Cristóvão Colombo levou em 1502 amostras deste cereal para a Espanha, e dali ganhou uma rápida expansão até ao sul da Europa, norte de África e Oeste de Ásia.
A partir de sua chegada à América do Norte, se expande finalmente à China durante o século XVI.

Uso Ritualistico: Pertencem aos Orixás Ogun, Oxossi, Xangô, Yemonjá e Oxalá.
As sementes são de uso básico nas casas de candomblé, seja na culinária dos orixás, seja na alimentação cotidiana da comunidade.

O milho branco - Àgbàdó Funfun - é empregado no preparo de acaçá (manjar envolvido em folha de bananeira) e ebô (milho cozido) para Oxalá, Iemanjá e outros Orixás.

O milho vermelho - Àgbàdó Pupa - serve para fazer o acaçá vermelho (para Exú e Ogun), o Axoxó (milho cosido) para Oxossi, Logum Edé e Ogun, e entra na composição do aluá, bebida fermentada de origem africana, servida em dias de festas nas casas de santo.

O milho alho - Àgbàdó kékeré, para Obaluaiyé, Nàná e Oxún.

O milho verde em espiga é próprio de Oxossi, sendo também oferecido a Ayirá, no ritual da fogueira. Serve, também, para fazer uns bolinhos semelhantes ao acarajé, que são apreciados por Yewá.

A planta toda é atribuída a Oxossi, e as folhas são usadas em defumação de terreiros e para "lavar os assentamenos de Exú" para atrair prosperidade e fartura.

A água do milho branco cozido é utilizada em banho calmante.

Os grãos são utilizados nos terreiros, no preparo de varias iguarias que são ofertadas aos òrìxà, tais como:
Ègbo, ègboyá, axoxo, àdun, guguru, akasá branco, akasá de leite, egidi (akasá de milho amarelo), ekó etc.

Vegetal gún, utilizado para atrair prosperidade e boa sorte.

Elementos: Terra/Masculino

Uso em Ifá;
“As folhas (ewe àgbàdo) são usadas em um trabalho para trazer boa sorte (àwúre oríre) que se classifica no odú ìwòrì òfún, também chamado ìwòrì àgbàdo” e em “trabalho para se obter favores das feiticeiras” (Verger 1995:41/42).
Do odu Èjìogbè em “receita para tratar vômito e diarréia” (Verger 1995:185).

“A espiga de milho inteira, odidi àgbàdo, é usada em uma receita para ajudar a mulher a ter um bom parto (awebí) classificada no odu que trata do nascimento de crianças, (...) ogbè òtúrúpon ou ogbè tún omo pon” (Verger 1995:43)

“O sabugo do milho (pòpórò àgbàdo) é usado em trabalho para sair vitorioso de uma luta (ìsegun ìjàkadi), classificado no odù ose méjì ou ose oníjà, “ose-que-gosta-de-briga” (Verger 1995:43,351)

“A palha (háríhá) que envolve a espiga de milho é usada em uma receita para ajudar a mulher grávida a sentir o corpo leve (...), classificada no odu ogbè òtúrá ou ogbè aláso funfun, “ogbè-dono-da-roupa-branca” (Verger 1995:44,277)
Por fim, com a palha do milho é feito um cigarro que é muito apreciado por uma entidade pertencente à Umbanda e o Catimbó, denominada Zé Pelintra.

O cabelo-de-milho é utilizado em “trabalho para conseguir proteção contra Exu” do odu Ose òtúrá (Verger 1995:295).
Com relação ao cabelo de milho, ele costuma ser oferecido para Ode, junto com a espiga, em trabalhos para obter prosperidade e fartura. Já vi pessoas que o ofereciam para Oyá, com o mesmo objetivo.
Outra forma interessante que eu já tive a oportunidade de observar é a utilização de bonecos “voodoo”, feitos com a palha e os cabelos de milho. Nesse caso o intuito era de aproximar duas pessoas.
O cabelo de milho também é utilizado como um fitofármaco que auxilia nas doenças dos rins, tendo efeito diurético e ajudando a baixar a pressão arterial.

“... os grãos de milho torrados (àgbàdo súnsun) são usados em trabalhos para fazer um processo judicial cair no esquecimento (àwúre aforàn ou ìdáàbòbò l’owo ejo) pertencendo ao odu ogbè òtùrá ou ogbè kòléjó, “ogbè-não-tem-processo-na-justiça”.” (Verger 1995:44-45, 341), e em “receita para tratar inchaço da barriga” do odu Ose ìká (Verger 1995:193).

Do odu Ose òtúrá consta um curioso “trabalho para juntar novamente partes cortadas de um corpo” (Verger 1995:385)

Sassanha:
Kini àgbàdo á mú bó? Igba omo.
Kini àgbàdo á mú bó? Igba asó.
Orí’re ni ti àgbàdo.
Àgbàdo rin hòhò l’óko.
O kó ‘re bó wá ‘lé.
Orí’re ni ti àgbàdo

O que o milho está trazendo de volta? Duzentas crianças.
O que o milho está trazendo de volta? Duzentas roupas.
O milho traz boa sorte.
O milho vai para o campo.
E retorna para casa com boa sorte.
O milho traz boa sorte

Outros nomes yorubá: Àgbàdó funfun, Àgbàdó pupa, okà, yangan, erinigbado, erinkà, eginrin àgbado, elépèè, ìjèéré (Verger 1995:737).

o àgbàdó (milho) é consagrado não só ao orisá da caça (Odé), mas também está ligada ao culto de Osalá, Ogún e Sangò, sendo fundamental ainda nos rituais ao inkissi Dandalunda e em outros rituais.

CABELO DE MILHO
A aplicação na medicina caseira está no cabelo. Nasce das espigas ao fruto e às sementes do milho.
As espigas são ligadas a Deusa Iansâ.
A espiga usada como Yteque (amuleto), dependura na porta da cozinha ou copa, sem que lhe retire a palha, fazendo-se uma alça de palha que capeia a espiga e deixando-se a metade, no sentido do comprimento, descoberta, ficando os gãos à vista. É um modo de atrair fartura de alimentos.

Obs.: Quando estiver secando, trocar por outra verdinha.
Na medicina caseira é usado como diurético e para cálculos renais (toma-se o chá)

pesquisa: aurea oliveira